A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) desempenha papel vital na segurança do paciente, e o farmacêutico é membro obrigatório desta comissão conforme a Portaria MS (Ministério da Saúde) nº 2.616/1998. Uma das principais contribuições da Farmácia Hospitalar para o controle de infecções é o gerenciamento do uso de antimicrobianos. Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta corretamente uma estratégia farmacêutica de ‘Antimicrobial Stewardship’ (Gerenciamento de Antimicrobianos) para reduzir a resistência bacteriana.
A. Realizar a conversão da terapia intravenosa para ORAL (SWITCH THERAPY) assim que as condições clínicas do paciente permitido, reduzindo o tempo de acesso venoso e o risco de infecção de corrente sanguínea.
B. Incentivar o uso profilático de antibióticos de largo espectro em todos os pacientes cirúrgicos independentemente do potencial de contaminação da cirurgia, para garantir a esterilidade.
C. Delegar a responsabilidade da seleção de antimicrobianos exclusivamente a equipe de enfermagem, focando o trabalho farmacêutico apenas na logística de compra.
D. Manter estoques elevados de antimicrobianos de reserva, como carbapenêmicos, nas unidades de internação (satélites) para facilitar o acesso imediato sem necessidade de prescrição controlada.
E. Substituir sistematicamente antibióticos antigos e de espectro reduzido por lançamentos mais recentes de amplo espectro como primeira escolha para tratamentos empíricos de infecções comunitárias.
Alternativa Correta: A
A alternativa A está correta porque a Switch Therapy (terapia de substituição ou conversão) é uma das intervenções fundamentais dos programas de gerenciamento de antimicrobianos (Stewardship). Ela consiste em migrar o paciente da via intravenosa (IV) para a via oral (VO) assim que houver estabilidade clínica e funcionalidade do trato gastrointestinal. Isso reduz drasticamente o tempo de exposição a dispositivos invasivos (cateteres), diminuindo o risco de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), além de reduzir custos e possibilitar uma alta hospitalar mais precoce.
Comentários sobre as Alternativas Incorretas
- B: Incorreta. A profilaxia cirúrgica deve ser criteriosa e baseada no potencial de contaminação (cirurgias limpas, por exemplo, muitas vezes nem requerem antibiótico). O uso indiscriminado de largo espectro em todos os casos viola o princípio da seleção do agente de espectro mais restrito possível, favorecendo a seleção de cepas resistentes.
- C: Incorreta. A seleção de antimicrobianos é uma decisão clínica multidisciplinar (médico, farmacêutico e infectologista). O farmacêutico na CCIH possui papel técnico-científico na análise da adequação da terapia e não pode se restringir apenas à logística de suprimentos.
- D: Incorreta. Antimicrobianos de reserva (como os carbapenêmicos) devem ter dispensação estritamente controlada e monitorada. Facilitar o acesso sem prescrição ou controle rigoroso em unidades satélites é uma prática que promove o uso irracional e a resistência bacteriana.
- E: Incorreta. O uso de drogas de amplo espectro como primeira escolha em infecções comunitárias (onde drogas “antigas” e de espectro reduzido ainda são eficazes) é contraindicado. Deve-se reservar os agentes de amplo espectro para casos específicos ou falhas terapêuticas, preservando a utilidade clínica desses fármacos.
Resumindo: O farmacêutico atua no Stewardship garantindo que o medicamento seja o mais seguro e eficaz pelo menor tempo necessário. A conversão IV para Oral (Alternativa A) é a estratégia que melhor exemplifica o equilíbrio entre eficácia clínica e redução de riscos ao paciente.